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Lençóis Maranhenses, Brazil

(English version: go to the bottom of the text)

texto e fotos por Fábio Matuzawa © (instagram @fmatuzawa)

Sempre tive vontade de conhecer os Lençóis Maranhenses, mas ainda não tinha tido a oportunidade. Quando recebi do Caveiras da Montanhaa programação da travessia, não pensei duas vezes. Como não gosto de passeios com estilos muito turísticos, essa foi uma ótima alternativa para realmente vivenciar os Lençóis.

O parque nacional dos Lençóis Maranhenses é uma unidade de conservação com uma área de 156.584 ha, e está distribuído pelos municípios de Barreirinhas, Primeira Cruz e Santo Amaro do Maranhão. A melhor época para se visitar o parque é de junho à agosto quando as lagoas estão mais cheias devido ao término da estação chuvosa, que vai até começo de junho, e também é uma época que os ventos ainda não estão muito fortes. Porém, é possível realizar a travessia durante o ano inteiro.

A rota ideal para se fazer a travessia é de leste para oeste, ou seja, do canto de Atins para Santo Amaro. Dessa maneira andamos a favor do vento e com o sol nas costas, uma vez que o trekking normalmente é feito de madrugada e no período da manhã. Outro motivo importante é que, nesse sentido, as subidas das dunas são muito mais leves porque o vento modela a duna com subidas mais longas e suaves e com decidas curtas e íngremes.

A travessia mais longa, segundo outros relatos, pode chegar a 90km, e seria de Atins até  Santo Amaro. Eu fiz do canto de Atins até a lagoa da Andorinha, com duração de 3 dias e um total de 58km.

Para chegar a Barreirinhas de São Luís é possível ir de van, táxi e ônibus (Cisne Branco) que custa R$60,00 e dura aproximadamente 5h. Desembarcando no aeroporto de São Luís, você pode falar com os funcionários do serviço de informação turística, eles coordenam a lotação dos táxis que vão a Barreirinhas conforme as pessoas vão chegando e perguntando. O preço varia entre R$50,00 e R$100,00. De Barreirinhas você só consegue ir para o canto de Atins de 4×4; Contratamos um guia (Galego: +55 98 988588396) que agilizou tudo. Como eu fui com os Caveiras da Montanha, toda essa logística já estava fechada, portanto, as informações que escrevi aqui sobre transporte eu coletei de outros relatos.

O que levar…

Essa foi a minha maior dúvida! O ideal é ir o mais leve possível, já que será uma caminhada por 3 dias por dunas de areia. Vá com uma mochila boa, isso faz toda a diferença nos quilômetros acumulados. Eu fui com uma cargueira pequena de 38L da Deuter, e como levei os equipamentos de fotografia, ela chegou a 12kg. Para uma pessoa “normal”, o ideal seria a mochila pesar em torno de 6kg já contando água, alimentação, etc.

De roupa para a travessia eu levei duas camisetas dryfit UV, duas bermudas (uma para usar de dia na caminha e lagoas e outra para dormir), uma sunga, dois pares de meias de trekking (fiz a travessia de tênis) e roupa de baixo a gosto. Não esqueça de levar óculos escuro, porque além do sol ser muito forte, ele reflete na areia, o que pode causar queimaduras na retina. Não esqueça também de levar um chapéu, porque não há sombras.

O que calçar durante o trekking foi a grande questão para mim, ouvi vários relatos de pessoas que foram descalças e de chinelos, mas pelo que vi, na minha opinião, essas duas opções são as piores. As dunas em sua maior parte são duras e depois de algumas horas caminhando descalço a planta do pés e as articulações dos dedos começam a doer. No grupo que fui tinham pessoas com papete, sapatinhas de mergulho, meias de neoprene e eu de tênis. Todos conseguiram fazer, eu particularmente gostei muito de fazer de tênis, o único ponto negativo era ter que tirar e colocar o tênis sempre que tinha que atravessar uma lagoa ou riozinho, que não são poucos.

Nessa travessia dormimos em redários, bem característicos da região, onde é possível comprar água e refeições. Mas para a alimentação durante o trekking, é preciso levar de casa: barra de proteína, gel de carboidrato, castanhas, frutas secas, etc. Não esqueça de levar uma lanterna, o ideal é a de cabeça, pois uma parte da caminhada é feita de madrugada.

Alguns redários possuem energia elétrica e geradores, o que permitiu carregar Gopro, telefone para fotografar ou filmar pois não há sinal de celular em quase toda a travessia. Mas vá preparado com um powerbank, pois são pouquíssimas tomadas disponíveis.

Para os amantes da fotografia, eu aconselho a levar apenas uma lente versátil, pois além do peso de carregar duas lentes, lá venta constantemente, portanto sempre tem um pouco de areia voando independente da intensidade do vento, o que torna a troca de lentes um pouco complicado. Para quem tem drone, é um prato cheio também, eu levei o meu e não me arrependi, fiz altas imagens. Ainda levei um tripé, porque sou apaixonado por fotos em longa exposição. Ah… quem tiver um filtro ND vale a pena levar também, é leve e proporciona uns registros legais das lagoas e nuvens.

Começando…

Chegando no canto de Atins, nos hospedamos no restaurante da Luzia. Há opções de rede a R$40,00 ou quarto a R$50,00 por pessoa, e as duas opções incluem café da manhã. A comida foi a melhor de toda a travessia, o camarão é bem famoso e não esqueçam de comer a cocada de sobremesa, é demais! Além do camarão, há a possibilidade de escolher diversos tipos de pratos que variam entre R$36,00 a R$40,00. Água 1.5L custa R$8,00 e a cerveja e o refrigerante R$5,00. Do restaurante da Luiza é possível ir andando nas dunas e já aproveitar algumas lagoas. O pôr do sol nas dunas é espetacular!

No primeiro dia de trekking saímos às 3h da manhã em direção a Baixa Grande. São aproximadamente 26km de trekking. Nesse primeiro trecho é possível pegar um 4×4 para ir até a cachoeira do bonzinho, economizando aproximadamente 8km. O trekking durou aproximadamente 8h, e chegamos em Baixa Grande por volta das 12h. Os redários ficam como oásis, no meio do Parque dos Lençóis Maranhenses, e é preciso atravessar riozinhos e vegetações para chegar neles. Em Baixa Grande ficamos no redário da Dona Maria. Os preços são iguais, pernoite com café da manhã a R$40,00, a refeição por R$40,00, cerveja e refrigerante R$5,00 e água de 1.5L R$8,00. Tenha em mente que esses redários são as casas do povo nativo, portanto, são lugares simples, mas de povo bastante acolhedor. No fim da tarde não deixe de ir ver o pôr do sol na duna mais alta que tem por lá, a visão é incrível!

No segundo dia de trekking, saímos às 7h da manhã para o trecho entre Baixa Grande e Queimada dos Britos, que é o mais curto, com aproximadamente 13.5km, e na minha opinião é o trecho mais bonito com lagoas gigantes e profundas. Fizemos esse trecho em aproximadamente 5h, considerando que ficamos aproveitando 1h30 em uma dessas lagoas gigantes. Chegamos em Queimada dos Britos, no redário da Fernanda, por volta das 13h. Nessa região você vai passando em vários redários e cruzando riozinhos, e o redário da Fernanda era o último, o que ajudou a encurtar um pouco o trekking do dia seguinte. Os preços na Fernanda eram os mesmo que nos demais redários, e tinha uma opção de lanche adicional: 2 tapiocas, 2 ovos mexidos e 1 suco por R$30,00.

No terceiro e último dia de travessia quase não paramos, saímos as 3h da manhã e percorremos até a lagoa da Andorinha, aproximadamente 20km em 6h. A lagoa da Andorinha já fica na região de Santo Amaro, é uma lagoa grande que estava com profundidade de aproximadamente 4 metros. Chegamos por volta das 9h30, uns 30 min depois começaram a chegar alguns turistas que se hospedam em Santo Amaro e faziam os passeios de 4×4 até lá. De lá pegamos um 4×4 para Santo Amaro onde almoçamos e tomamos um banho para depois pegarmos a van para São Luís.

Fotografia…

O cenário é surreal, um deserto de dunas com milhares de lagoas de várias cores no meio, o que ajuda muito a tirar ótimas fotos. Eu fiquei apaixonado pela textura que o vento desenha na areia, e com a luz do pôr do sol ou amanhecer, o contraste aumenta, rendendo ótimas fotos. Como comentei acima, dá para se divertir bastante com um filtro ND nas lagoas. Ah, a cereja do bolo foi ter duas noites de céu limpo para tirar fotos da Via Láctea no meio das dunas com as lagoas em primeiro plano!

Dicas importantes…

Leve clorin para pegar água das lagoas maiores (das pequenas não é recomendado).

Se hidrate o tempo todo e coma de forma apropriada, garantindo energia para aproveitar toda a travessia.

Roupas e equipamentos de boa qualidade fazem a diferença em travessias, evitando assaduras, pequenos machucados ou incômodos que podem te atrapalhar.

Os bastões de caminhada não são necessários, a não ser que você tenha recomendação médica expressa.

Um preparo físico adequado irá te proporcionar uma travessia tranquila e proveitosa.

Evite levar excessos: produtos de higiene pessoal, perfumes, potes grandes de shampoos ou protetores solares, etc. Programe-se e leve somente o que irá utilizar.

Não esqueça de levar um kit simples de primeiros socorros e medicamentos que está acostumado a utilizar, como analgésicos e curativos.

É isso!

Espero que tenha gostado do texto, e que ele seja útil para te ajudar a planejar a próxima aventura. Se tiver qualquer dúvida, deixe um comentário ou me envie um e-mail que eu respondo assim que possível… até a próxima!
*para ver mais fotos clique aqui! 🙂

English Version:

text and photos by Fábio Matuzawa © (instagram @fmatuzawa

I always wanted to go to the Lençóis Maranhenses, but I still had not had the opportunity. When I got the crossing programming from the Caveiras da Montanha, I did not think twice. As I do not like tours with very touristy styles, this was a great alternative to really experience the Lençóis.

The Lençóis Maranhenses National Park is a conservation unit with an area of 156,584 ha, and it is distributed by the municipalities of Barreirinhas, Primeira Cruz and Santo Amaro do Maranhão. The best time to visit the park is from June to August when the lagoons are fuller due to the end of the rainy season, which runs through early June, and it is also a time when the winds are still not very strong. However, it is possible to make the crossing the whole year.

The ideal route to cross is from east to west, that is from the Canto de Atins to Santo Amaro. This way we walk in the wind and the sun on the back, since the trek is usually done at dawn and in the morning. Another important reason is that, in this way, the rise of the dunes is much lighter because the wind models the dune with longer and softer climbs and with short and steep decents.

The longest crossing, according to other reports, can reach 90km, and it would be from Atins to Santo Amaro. I made from the Canto de Atins to the Andorinha lagoon, with a duration of 3 days and a total of 58km.

It is possible to get to Barreirinhas from São Luís by van, taxi and bus (Cisne Branco) that costs R$ 60,00 and lasts approximately 5h. Landing at São Luís airport, you can talk to the officials of the tourist information service, they coordinate the stock of the taxis that go to Barreirinhas as people come and ask. The price ranges fromR$50.00 to R$100.00. From Barreirinhas you can only go to the Canto de Atins by 4×4; We hired a guide (Galego: +55 98 988588396) that expedited everything. As I was with the Caveiras da Montanha group, all this logistics was already closed, so the information I wrote here about transportation I collected from other blogs.

What to take…

That was my biggest question! The ideal is to go as light as possible, since it will be a 3 day trek through sand dunes. Go with a good backpack makes all the difference in the miles accumulated. I went with a small 38L Deuter, and as I took the photo equipment, it came in at 12kg. For a “normal” person, the ideal would be for the backpack weighing around 6kg already counting water, food, etc.

From clothing to the crossing, I took two UV dryfit shirts, two shorts (one to wear by day on the walk and ponds and one for sleeping), a swimwear, two pairs of trekking socks (I made the cross with tennis) and underwear. Do not forget to bring dark glasses, because in addition to the sun being very strong, it reflects in the sand, which can cause burns on the retina. Do not forget to wear a hat as there are no shadows.

What to wear during the trekking was the biggest question for me, I heard several reports of people who were barefoot and slippers, but from what I saw, in my opinion, these two options are the worst. The dunes are mostly hard and after a few hours walking barefoot the soles of the feet and the joints of the fingers begin to ache. In the group, people went wearing hiking sandals, diving shoes, neoprene socks and tennis. Everyone managed to do it, I particularly enjoyed doing it by tennis, the only negative point was having to take off and put on the sneakers whenever I had to cross a pond or river, which are not few.

In this crossing we sleep in hammocks shelters, very characteristic of the region, where it is possible to buy water and meals, for food during trekking, you need to bring it from home like protein bar, carbohydrate gel, nuts, dried fruit, etc. Do not forget to bring a flashlight, the ideal is the headlamp, because part of the walk is done at dawn.

Some shelters have electric power from generators, which allowed to charge gopro or mobile to take picture,  because there is no mobile signal in almost all the crossing. But go prepared with a powerbank as there are very few outlets available.

For photography lovers, I advise to take only a versatile lens, because in addition to the weight of carrying two lenses, it winds constantly, therefore always have a little sand flying independent of the wind intensity, which makes the lens change complicated. For those who have drones, it’s nice to take too, I took mine and I did not regret it, I did some great images. I also took a tripod, because I’m in love with long exposure photos. Ah … anyone who has an ND filter is worth taking as well, it is lightweight and provides cool records of ponds and clouds.

Starting…

Arriving at the Canto de Atins, we stayed at Luzia’s restaurant. There are hammock options at R$40.00 or room at R$50.00 per person, and both options include breakfast. The food was the best of the whole crossing, the shrimp is very famous and there is the possibility to choose several types of dishes that range fromR$36.00 to R$40.00, 1.5L bottle of water costs R$8.00 and beer and soda R$5.00. From the Luiza restaurant you can walk in the dunes and enjoy some lagoons. The sunset on the dunes is spectacular!

On the first day of trekking we leave at 3am in the direction of Baixa Grande. It is approximately 26km of trekking. In this first stretch it is possible to take a 4×4 to go to the Bonzinho waterfall, saving approximately 8km. The trek lasted about 8h, and we arrived in Baixa Grande around 12pm. The hamoock shelters are in oasis, in the middle of the Park of the Lençóis Maranhenses, and you have to cross rivers and vegetations to arrive at them. In Baixa Grande we stayed in the Dona Maria shelter. The prices are the same, overnight with breakfast at R$40.00, the meal for R$40.00, beer and soft drink R$5.00 and 1.5L bottle of water R$8.00. Keep in mind that these hammocks shelters are the homes of the native people, so they are simple places, but rather welcoming people. At the end of the afternoon do not miss going to see the sunset on the highest dune that has there, the view is incredible!

On the second day of trekking, we leave at 7am for the stretch between Baixa Grande and Queimada dos Britos, which is the shortest, with approximately 13.5km, and in my opinion, is the most beautiful stretch with giant and deep lagoons. We did this stretch in about 5h, considering that we were taking advantage of 1h30 in one of these giant lagoons. We arrived at Queimada dos Britos, in Fernanda’s hamoock shelter, around 1:00 p.m. In this region, you go through several shelters crossing the river, and Fernanda’s was the last one, which helped to shorten the next day’s trek a little. The prices at Fernanda were the same as Dona Marias’s hammock shelter, and there was an additional snack option: 2 tapiocas, 2 scrambled eggs and 1 juice for R$30.00.

On the third and last day of crossing we almost did not stop, we left at 3 o’clock in the morning and we traveled to the Andorinha lagoon, approximately 20km in 6h. The lagoon of the Andorinha is already in the region of Santo Amaro, it is a big lagoon with depth of approximately 4 meters. We arrived around 9:30 a.m., about 30 minutes later some tourists who stayed in Santo Amaro started to arrive by 4×4 trips. From there we took a 4×4 to Santo Amaro village where we had lunch and took a shower and then took the van back to São Luís.

Photography…

The scenery is surreal, a desert of dunes with thousands of ponds of various colors and sizes in the middle helps a lot to take great photos. I was in love with the texture that the wind draws in the sand, and in the light of sunset or dawn, the contrast increases, yielding great photos. As I mentioned above, you can have a lot of fun with an ND filter in the ponds. Oh, the best part was having two nights of clear sky to take photos of the Milky Way in the middle of the dunes with the ponds in the foreground!

Important Tips …

Take chlorin to get water from larger ponds (small ones not recommended).

Get hydrated all the time and eat properly, ensuring energy to enjoy the whole crossing.

Clothing and equipment of good quality make the difference in crossings, avoiding rashes, small bruises or nuisances that can get in your way.

Walking poles are not necessary unless you have an express medical recommendation.

An adequate physical preparation will provide you with a peaceful and profitable crossing.

Avoid overeating: toiletries, perfumes, large pots of shampoos or sunscreens, etc. Schedule yourself and take only what you will use.

Do not forget to bring a simple first aid kit and medications that you are accustomed to use, such as painkillers and dressings.

It is all!

I hope you have enjoyed the text, and that it will be useful to help you plan the next adventure. If you have any questions, leave a comment or send me an email that I will reply as soon as possible … until the next text!
*to see more photos click here! 🙂

2 thoughts on “Lençóis Maranhenses, Brazil

  1. Muito bem relatado e foi um prazer enorme conhecer você e um pouco do seu trabalho.O Caveiras está de portas abertas para você e vamos para a próxima aventura.

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