BlogViagens/Trips

Travessia Marins x Itaguaré | Marins x Itaguaré Crossing

(english version go to the bottom of the text)
texto por Fábio Matuzawa © (instagram @fmatuzawa)

Desde que comecei a praticar astrofotografia, pesquisei sobre as montanhas da Mantiqueira já que moro em São Paulo e elas são relativamente perto. Marins, Pedra da Mina, Pico do Lopo, e Itaguaré são algumas delas.

A primeira vez que subi uma montanha com a intenção de acampar e passar a noite fotografando foi em 2016, na Pedra da Macela, que está perto dessa região porém faz parte da Serra do Mar. O trekking para a Pedra da Macela foi o primeiro desse tipo com uma cargueira pesada que eu fiz na vida. Hoje, sei que é um trekking bem fácil: 3km de subida em uma estrada de concreto, com navegação fácil e sem dificuldade técnicas.

Estive novamente na Macela em 2017, e em 2019 comecei a entrar realmente para esse mundo do montanhismo e trekking. Em abril fiz um trecho do caminho da Fé, Paraisópolis x Campos do Jordão. Foram 64km em dois dias, com um bom ganho de altimetria, a maior parte em estrada de terra. Já em junho fiz a travessia dos Lençóis Maranhensescom o grupo Caveiras da Montanha RJ. Foram 60km em 3 dias andando nas dunas, mas sem ganho de altimetria e trechos técnicos para realizar.

Hoje, eu classificaria esses dois trekkings como moderados, tanto pela distância quanto por suas características, como andar na areia e baixa altimetria. Ótimas experiências, mas nada comparado ao que eu iria viver na travessia Marins x Itaguaré, em termos de exigência física e mental.

Marins x Itaguaré e Serra Fina são as travessias mais duras da Região Sudeste, segundo opiniões de amigos montanhistas e posts na web. As pessoas comentam de Marins x Itaguaré como uma travessia um pouco mais técnica, e com o agravante de não haver pontos confiáveis de água durante grande parte da travessia, o que faz você ter que carregar um peso considerável. E lembrem, cada grama conta nesse tipo de atividade!

Meus amigos Caveiras estavam organizando um grupo para a travessia no fim de agosto. Conversei com eles sobre as dificuldades que eu poderia ter, se teria condições de concluir a travessia, e também sobre o que mais me preocupava: o medo de altura. Eles afirmaram que, baseado na travessia dos Lençóis, eu conseguiria e confiavam em mim. Bom, confiei neles e lá fui eu perder “a virgindade” em travessia de montanha no Marins x Itaguaré.

Minhas impressões…

Fizemos a travessia em dois dias. É uma travessia dura, e apesar do trecho curto percorrido de aproximadamente 20km, parece que não rende devido ao seu nível técnico e à grande quantidade de escalaminhadas e desescalaminhadas (subidas e descidas que exigem certa escalada). A trilha inteira é composta de subias e descidas de morros, ela não alivia, e tudo isso com 18kg nas costas.

Entretanto, foi uma experiência gratificante! Com a ajuda da galera, consegui vencer meu medo de altura em diversos pontos que são mais expostos, e evoluir muito nas técnicas de escalaminhadas e trepa pedras, já que eu era totalmente inexperiente nisso. A evolução e o ganho de confiança de sábado para domingo foram nítidos.

A natureza é um capítulo a parte, é espetacular, o visual é incrível! A sensação de andar por aqueles paredões de pedras, olhar para trás e ver tudo que já conquistou é indescritível. Só fazendo para realmente saber como é.

Aconselho um bom preparo físico, e para iniciantes na montanha como eu, sempre ir acompanhado de pessoas mais experientes, que saibam o que estão fazendo. A natureza na montanha é bela, mas ao mesmo tempo é implacável. Uma hora está sol e quente, e você pode acabar com a sua água de tanta sede. De noite pode chegar a temperaturas negativas, e se não tiver um equipamento adequado, você pode ter hipotermia. Pode ventar, chover, ter uma neblina, e se você não tiver instrumentos ou não souber navegar, o risco de se perder é altíssimo. Portanto planeje bem, saiba com quem você está indo. A confiança deve ser mútua, porque isso faz toda diferença no final.

A travessia…

Como chegar…

Para chegar ao começo da trilha você tem que ir ao Refúgio Marins(link gmaps). Na rodovia Presidente Dutra BR116, pegar a saída 51. Pela rodovia BR 459, depois que passar por Piquete, há dois caminhos. O mais curto via vila do Marins é um pouco ruim para carros baixos, e há placas indicativas para o refúgio ou Pico dos Marins. No mais longo você passa por Piquete e segue via Marmelópolis, vendo as referências para fazenda do Saequi, mas as condições da estrada são melhores. Contato no refúgio é o Dito (+55 12 99799.7524)

Primeiro dia…

Iniciamos o trekking às 4h10 (altimetria 1568m), com a trilha bem definida no meio da mata atlântica, leve nos primeiros 15 minutos e ficando cada vez mais íngreme em direção ao Morro do Careca (altimetria 1788) onde realmente começa a trilha para o Pico dos Marins. No Morro do Careca é onde você irá encontrar o último ponto de água. Como não foi preciso pegar água, não sei exatamente onde esse ponto se localiza, mas segundo o tracklog (link do tracklog que usamos)fica em direção a mata, à esquerda da placa que inicia a trilha para o Pico dos Marins.

À medida que passamos o Morro do Careca, a vegetação começa a mudar e a floresta dá lugar a rochas e vegetação rasteira. A trilha que era bem demarcada simplesmente some. Apesar de existir totens e setas amarelas marcando o caminho em determinados lugares, eu acho imprescindível o uso de um GPS específico ou pelo menos o wikiloc em seu celular, pois como falei anteriormente, a trilha some e há lugares com vegetação pisada e várias bifurcações também.

Eventualmente o Pico do Marins deixará de ser visto, do seu lado direito ficarão os paredões rochosos, do seu lado esquerdo as montanhas de Minas Gerais. Note que o Pico dos Marins sempre estará na sua direita, e à medida que avança, irá passar pelos picos menores à esquerda. Qualquer coisa diferente disso você está no caminho errado!

A parte mais tensa que eu achei nesse primeiro trecho, até o Vale dos Cristais onde é a base do Pico dos Marins, foi uma escalaminhada de mais ou menos 4m por uma fenda em um trecho bem íngreme. Esse trecho é conhecido como Funil. Nesse lugar, eu travei totalmente e precisei de ajuda para completar (valeu Chang!).

Nesse episódio eu me exauri totalmente, é impressionante como o medo, a descarga de adrenalina e a tensão faz você se desgastar à toa. Quando chegamos no Vale dos Cristais para deixar as cargueiras e atacarmos o cume dos Marins, decidi ficar descansando, não sabia o que iria enfrentar pela frente no resto da travessia e não queria me desgastar mais naquele momento.

Aqui há relatos de fonte de água. A nascente do rio Ribeirão Passaquatro fica depois do camping indo na direção ao cume dos Marins. Nesse lugar há uma placa da UNIFEI, dizendo que a água está imprópria para consumo devido a presença de coliformes fecais. Não há data na placa, portanto é melhor não arriscar. Se não tiver alternativa, use um filtro portátil ou o clorin.

Há relatos também de um ponto de água própria para consumo no sentido do platô do Marinzinho, mesmo com aspecto amarelado. Fica logo passando a área de camping, antes de começar a subida e logo na esquerda onde existem árvores que se destacam da vegetação.

A galera demorou 1h30 entre subir até o cume e descer. Quando o pessoal chegou, comemos algo e partimos em direção ao Marinzinho. Começamos a subir o platô, ali não tem erro é só subir, mas complica um pouco no final. Você tem que ir contornando à esquerda do pico, não está muito bem marcado e é uma área com muito trepa pedra. Nessa hora o tracklog ajuda muito na orientação para sabermos se estamos muito fora da rota ou não. Assim que passa essa parte de muito trepa pedra, chegamos ao cume do Marinzinho.

No Cume do Marinzinho fica o único ponto em que é possível abortar a travessia. Há uma bifurcação que vai para a pousada do Sr. Maeda em caso de emergência. Passando a bifurcação, já é possível ver o lance de corda que dá para o vale, que vem antes da subida da crista, que chega na Pedra Redonda.

Antes de começar a travessia, tinha lido a respeito da parte do lance de cordas, e era uma parte que estava me deixado apreensivo devido ao meu medo de altura. Quando chegou lá, apesar de estar um pouco tenso, já estava mais tranquilo, por tudo que havia passado, além do apoio da galera, que me passou bastante tranquilidade. O lance tem mais ou menos uns 5m, são umas três cordas presas juntas que, segundo relatos, não se sabe desde quando estão lá. Apesar de haver saliências na rocha que possibilita a descida, essas cordas dão um grande auxílio. Aconselho a levarem um pedaço de corda na cargueira, pois nunca se sabe se as cordas sempre estarão lá ou o estado delas.

Essa crista leva ao Itaguaré, e tem um conjunto de três vales onde há algumas áreas de campings. A primeira área grande comporta em torno de 7 barracas, e fica logo depois da pedra redonda. O nosso plano era acampar nessa área, porém quando chegamos lá já havia outro grande grupo. A única alternativa foi seguir adiante. Andamos por mais ou menos 1,7km até acharmos um lugar que acomodasse todas as barracas. Passamos por algumas áreas de camping pequenas, mas como o solo era de rocha, só permitia a montagem de barracas autoportante.

Começamos a montar as barracas por volta das 16h30 ou seja, levamos pouco mais de 12h para percorrer uns 13km, aos que atacaram o cume do Marins. No meu caso, percorri 10.5km, e sem dúvida foram os 10km mais longos da minha vida até agora hehehe. Depois de montar as barracas foi só relaxar, comer, e no meu caso, aproveitar para fotografar o pôr do sol e a Via Láctea.

Segundo dia…

Acordei por volta das 6h, peguei a câmera e fui fotografar o sol nascendo atrás do Itaguaré. Estava lindo demais! Depois que o sol nasceu, voltei para barraca para comer e começar a levantar acampamento. Pegamos um pouco de chuva nesse processo, mas felizmente só durou uns 30 minutos. Começamos a caminhada por volta das 8h30.

Como tínhamos adiantado bem no dia anterior, só faltavam dois morros e um vale para a base do Itaguaré. O mesmo esquema do dia anterior: sobe pedra e desce pedra. No final do último vale, na subida para a base do Itaguaré, há dois lugares onde você passa entre duas pedras, e é preciso tirar a cargueira e arrastar, ou contar com a galera e passar de um para o outro.

Depois disso chegou uma hora que a seta indicava que tinha que subir uma pedra bem alta. Havia duas alternativas, e enquanto algumas pessoas acharam mais fácil subir pelo lado direito onde a seta indicava, outras optaram pelo lado esquerdo, achando mais fácil. Eu fui pelo lado direito, e consegui subir com ajuda.

Após esse trecho, enfrentamos uma subida íngreme – como toda subida nessa travessia – porém sem maiores dificuldades até chegar na base do Itaguaré. No final dessa subida, à direita, você segue ao cume do Itaguaré, e à esquerda, você começa a descida para o local do resgate.

Chegamos por volta das 12h, e eu decidi não atacar o cume de novo. O pessoal foi e disseram maravilhas. Lá tem a parte mais perigosa de toda travessia, porém não é uma parte obrigatória, só tem que passar por essa fenda quem quiser atingir o cume verdadeiro. É uma profunda fenda com uma rocha entalada no topo do Itaguaré, e para transpor essa fenda é necessário caminhar por cima de rocha que tem aproximadamente 1m de largura, mas que não é plana, tem um cume. Quem decidir transpor, aconselho que esteja seguro de si, com tempo e rocha secos, e que não tenha medo de altura, pois o lugar não permite erros.

A descida para o local de resgate é bem tranquila no geral, apesar de cansativa. Há bastante sinalização com as setas amarelas e totens mostrando o caminho, o que, na minha opinião, não exclui a necessidade e segurança de um bom GPS. Começamos subindo um morro e depois é só decida. No começo tem algumas desescalaminhadas, e depois que a trilha entra na mata, é bem demarcada até a área do resgate. Após os riachos, quase na chegada, tem uma bifurcação, com caminho para a saída na esquerda.

Gostaria de deixar uma observação positiva aqui no final. Apesar de ter encontrado muitas pessoas, principalmente na primeira parte no Marins, quase todas estavam carregando o seu shit tube seguindo a prática “leave no trace” ou no português “não deixe rastro”.

Para quem não sabe, o shit tube é um tubo de PVC ou plástico, que você carrega as suas fezes. Mas como funciona? Você deve estar se perguntando…primeiramente antes de fazer o número 2 jogue um pouco de cal em um saco plástico, depois faça o número 2 em cima de onde você cobriu de cal, aí você joga o cal em cima das fezes e pronto! Só dar um nó e jogar o saquinho no shit tube. O cal serve para parar o processo de decomposição das fezes, reduzindo o odor e secando as fezes.

Assim você colabora com o meio ambiente e com a próxima pessoa que vai passar por ali. E quem sabe, no futuro, aquela nascente de água nos Marins não esteja própria para consumo!

Fotografia…

A travessia é sinistra para quem gosta de fotografar landscape! A escolha certa do que levar é fundamental, pois lembre que você terá que carregar esse peso extra por todo o trajeto.

Eu levei um tripé de carbono, minha Nikon D800 e uma lente 24-70mm f2,8. Esse kit me rendeu quase 3,5kg a mais nas costas. Então avaliem bem o que levar. Levei 2 baterias extra, e acabei usando somente uma.

Dicas importantes…

– Analise a previsão do tempo! Isso é essencial para planejar, por exemplo, qual saco de dormir é mais adequado, além das roupas apropriadas.

– Evite fazer a travessia com previsão do tempo ruim, chuva, neblina etc… Tempestade com raios é extremamente perigoso.

– Lembre: leve água suficiente para a travessia. As poucas fontes que há relato podem não existir, em caso de períodos longos sem chuvas. Eu levei 4.5L para a travessia de 2 dias e sobrou quase 1 litro para mim, entretanto, não cozinhei. Vale a pena levar fogareiro, panela, água a mais? Analise tudo o que você irá carregar e decida o que é importante.

– Vá sempre acompanhado nesse tipo de aventura. E se você é iniciante que nem eu, vá com alguém que saiba o que está fazendo, mais experiente. Sempre ouvimos relatos de pessoas que se perdem e até morrem na Mantiqueira.

– Vá com roupas adequadas, que te proporcione boa amplitude de movimentos para as escalaminhadas, que permitam seu corpo respirar e te protejam do sol, pois não há sombras em praticamente todo trajeto.

– Use um calçado apropriado, de preferência uma bota de trekking boa. Uma boa bota te dá confiança na hora das subidas, e principalmente nas descidas dos paredões de pedra que por sinal, são muitos.

– Não esqueça de levar pilhas extras para sua headlamp e GPS ou um powerbank se você estiver usando o wikiloc no celular.

Agradecimentos…

Agradeço a todo o pessoal que fez a travessia comigo, vocês são demais! Agradeço em especial ao Edgard, meu brother que foi comigo de São Paulo, ao Chang e ao Raphael que me ajudaram em diversas horas que eu dei uma travada hehehe, e ao Osório e Raphael que acreditaram e confiaram em mim, me incentivando a realizar essa travessia com eles!

Espero que tenha gostado do texto e que ele seja útil para te ajudar a planejar sua próxima aventura. Se tiver qualquer dúvida, deixe um comentário ou me escreva um e-mail que respondo o mais breve… até a próxima!

*obrigado a  Raphael Benfica, William Chang, Elaine Fon e Edgard Morato por cederem algumas fotos

English version
text by Fábio Matuzawa © (instagram @fmatuzawa)

Since I started practicing astrophotography, I researched about the Mantiqueira mountains since I live in São Paulo and they are relatively close. Marins, Pedra da Mina, Pico do Lopo, and Itaguaré are some of them.

The first time I went trekking a mountain with the intention of camping and spending the night photographing was in 2016, in Pedra da Macela, which is close to this region but it belongs to Serra do Mar. The trekking to Pedra da Macela was the first of its kind with a heavy backpack I’ve done in my life. Today, I know it’s a very easy trekking: 3km uphill on a concrete road, with easy navigation and no technical difficulty.

I was back in Macela in 2017, and in 2019 I really started to enter this world of mountaineering and trekking. In April I made a section of the path of Faith, Paraisópolis x Campos do Jordão. It was 64km in two days, with a good altitude gain, mostly on a dirt road. In June I made the crossing of Lençóis Maranhenseswith the Caveiras da Montanha RJ group. It was 60km in 3 days walking in the sand dunes, but without elevation gain and technical sections to perform.

Today, I would rate these two trekkings as moderate, both for their distance and their characteristics, such as sand walking and altimetry. Great experiences, but nothing compared to what I would live on the Marins x Itaguaré crossing, in terms of physical and mental demands.

Marins x Itaguaré and Serra Fina are the hardest crossings in the Southeast, according to opinions of mountaineers friends and web posts. People comment on Marins x Itaguaré as a slightly more technical crossing, and with the added aggravation of the lack of reliable water points for much of the crossing, which means you have to carry a considerable weight. And remember, every gram counts in this kind of activity!

My friends from Caveiras da Montanha were organizing a group for the crossing at the end of August. I talked to them about the difficulties I might have, if I would be able to complete the crossing, and also what worried me most: the fear of heights. They stated that, based on the crossing of the Lençóis Maranhenses, I could do it and they trusted me. Well, I trusted them and there I went to lose my virginity on a mountain in the Marins x Itaguaré crossing.

My impressions …

We made the crossing in two days. It is a hard crossing, and despite the short stretch of approximately 20km, it does not seem to yield due to its technical level and the large amount of climbing and down climbing. The whole trail is made up of hills and downhill, it does not alleviate, and all with 18kg in the back.

However, it was a rewarding experience! With the help of the guys, I was able to overcome my fear of heights at several points that are most exposed, and evolve a lot in the techniques of walking on rocks and climbing stones, since I was totally inexperienced in that. The evolution and confidence building from Saturday to Sunday was clear.

Nature is a chapter apart, it’s spectacular, the look is amazing! The feeling of walking those stone walls, looking back and seeing everything you have already achieved is indescribable. Just doing to really know what it’s like.

I advise a good fitness, and for beginners on the mountain like me, always go with more experienced people who know what they are doing. The nature on the mountain is beautiful but at the same time ruthless. One hour is hot and sunny, and you can end your water because of thirsty. At night it can reach negative temperatures, and if you do not have proper equipment, you may experience hypothermia. It can wind, rain, have a fog, and if you have no instruments or cannot navigate by yourself, the risk of getting lost is very high. So, plan well, know who you’re going with. Trust must be mutual, because that makes all the difference in the end.

The crossing …

How to get there…

To get to the beginning of the trail you have to go to Marins Refuge(link gmaps). On the Presidente Dutra BR116 highway, take exit 51. On the BR 459 highway, after passing Piquete, there are two paths. The shortest via Marins village is a bit bad for low cars, and there are signposts for the refuge or Pico dos Marins. In the longest you pass by Piquete and follow via Marmelópolis, seeing the references to Saequi’s farm, but the road conditions are better.

Contact in the refuge is the Said (+55 12 99799.7524)

First day…

We started the trekking at 4h10 (altimeter 1568m), with a well-defined trail in the middle of the Atlantic forest, light for the first 15 minutes and getting steeper towards Morro do Careca (altimeter 1788) where the trail to Pico dos Marins really begins. At Morro do Careca is where you will find the last point of water. As there was no need to get water, I do not know exactly where this point is, but according to the tracklog (tracklog link we use)is towards the forest, to the left of the sign that starts the trail to Pico dos Marins.

As we pass Morro do Careca, the vegetation begins to change and the forest gives way to rocks and undergrowth. The trail that was well marked simply disappears. Although there are totems and yellow arrows marking the way in certain places, I think it is essential to use a specific GPS or at least wikiloc on your phone, because as I said before, the trail disappears and there are places with trodden vegetation and several bifurcations too. .

Eventually Pico do Marins will no longer be seen, on its right side will be the rocky walls, on its left side the mountains of Minas Gerais. Note that Pico dos Marins will always be on your right, and as you advance you will pass the smaller peaks on the left. Anything other than that you’re on the wrong track!

The tensest part I found in this first stretch, up to the Valley of the Crystals where is the base of Pico dos Marins, was a 4-meter climb through a crevice in a very steep stretch. This stretch is known as the Funnel. In this place, I totally froze and needed help to complete (thanks Chang!).

In this episode I totally exhausted myself. It is impressive how fear, the adrenaline rush and the tension makes you fray for nothing. When we arrived in the Crystal Valley to leave the backpacks and attack the summit of the Marins, I decided to rest, I didn’t know what I was going to face in the rest of the crossing and I didn’t want to wear myself anymore at that moment.

Here there are reports of water source. The source of the Ribeirão Passaquatro river is after the camping going towards the summit of the Marins. In this place there is a sign from UNIFEI, saying that the water is unfit for consumption due to the presence of fecal coliforms. There is no date on the sign, so you better not risk it. If you have no alternative, use a portable filter or chlorin.

There are also reports of a water point suitable for consumption towards the Marinzinho plateau, even with a yellowish aspect. It is just past the campsite, before starting the climb and just on the left where there are trees that stand out from the vegetation.

My friends took 1h30 between going up to the summit and going down. When them arrived, we ate something and left for Marinzinho. We started to climb the plateau, there is no mistake just climb, but the trail complicates a little at the end. You have to go around the left of the peak, it is not very well marked and it is an area with a lot of rock climbing. At this time, the tracklog helps a lot in guiding us to know if we are very off track or not. Once this part of a lot of rock climbs was gone, we reach the summit of Marinzinho.

At Marinzinho Summit is the only point at which it is possible to abort the crossing. There is a fork that goes to Mr. Maeda’s inn in an emergency. Passing the fork, you can see the rope session leading to the valley, which comes before the rise of the ridge, which reaches the Roundstone.

Before starting the crossing, I had read about the rope session, and it was a part that was making me uneasy due to my fear of heights. When I got there, although I was a little tense, I was calmer, because of everything I had been through, besides the support of the guys, which gave me a lot of peace. The pitch is about 5m, it’s three ropes tied together which, according to reports, is not known since when they are there. Although there are ledges in the rock that allows the descent, these ropes are a great help. I advise you to carry a piece of rope in the hose because you never know if the ropes will always be there or their condition.

This ridge leads to Itaguaré, and has a set of three valleys where there are some campsites. The first large area holds around 7 tents, and is just after the round stone. Our plan was to camp in this area, but by the time we got there, there was another big group. The only alternative was to move on. We walked about 1.7km until we found a place that would accommodate all the tents. We passed some small campsites, but as the ground was rocky, it only allowed the mounting of self-supporting tents.

We started setting up the tents around 4:30 pm, that is, we took just over 12 hours to cover about 13km, to those who attacked the summit of the Marins. In my case, I traveled 10.5km, and no doubt it was the longest 10km of my life so far hehehe. After setting up the tents just relax, eat, and in my case, take the opportunity to photograph the sunset and the Milky Way.

Second day…

I woke up around 6am, took the camera and went to photograph the sun rising behind Itaguaré. It was too beautiful! After the sun came up, I went back to the tent to eat and start camp. We caught some rain in this process, but fortunately it only lasted about 30 minutes. We started the walk around 8:30.

As we had advanced well the day before, there were only two hills and a valley to the base of Itaguaré. The same scheme as the day before: stone climbs and stone descends. At the end of the last valley, on the way up to the Itaguaré base, there are two places where you pass between two rocks, and you need to take ou the backpacks and drag them.

After that came a time when the arrow indicated that a very high rock had to be climbed. There were two alternatives, and while some people found it easier to climb the right side where the arrow indicated, others chose the left side, finding it easier. I went on the right side, and managed to climb with help.

After this stretch, we face a steep climb – as every climb on this crossing – but without major difficulties until reaching the base of Itaguaré. At the end of this climb, on the right, you follow the summit of Itaguaré, and on the left, you begin the descent to the rescue site.

We arrived around 12pm, and I decided not to attack the summit again. My friends went and said wonders. There, there is the most dangerous part of every crossing, it calls the jump of the cat gap, but it is not a mandatory part, you only have to pass through this gap who wants to reach the true summit. It is a deep crevice with a rock stuck in the top of Itaguaré, and to cross that crevice it is necessary to walk over rock that is approximately 1m wide, but not flat, has a ridge. Whoever decides to transpose, I advise you to be sure of yourself, with dry weather, and not to be afraid of heights, because the place does not allow mistakes.

The descent to the rescue site is pretty easy overall, though tiring. There is a lot of signage with yellow arrows and totems showing the way, which, in my opinion, does not exclude the need and safety of a good GPS. We start going up a hill and then just downhill. At first there are some rocks you have to climb down, and after the trail enters the woods, it is well demarcated to the rescue area. After the streams, almost on arrival, there is a fork, going left is the right way.

I would like to leave a positive comment here at the end. Although I found many people, especially in the first part in Marins, almost all of them were loading their shit tube following the practice “leave no trace”.

For those who don’t know, the shit tube is a PVC or plastic tube that you carry your stool with. But how does it work? You might be wondering … first before making number 2 throw some lime in a plastic bag, then make stool over where you covered it with lime, then you throw lime over the stool and you’re done ! Just tie a knot and throw the bag in the shit tube. Lime serves to stop the process of stool decomposition by reducing odor and drying out the stool.

So, you collaborate with the environment and the next person who will pass by. And who knows, in the future, that water source in the Marins will be fit for consumption!

Photography…

The crossing is amazing for those who like to photograph landscape! The right choice of what to take is crucial, as remember that you will have to carry this extra weight all the way.

I took a carbon tripod, my Nikon D800 and a 24-70mm f2,8 lens. This kit earned me almost 3.5kg more in the back. So, evaluate well what to bring. I took 2 extra batteries, and ended up using only one.

Important Tips …

– Analyze the weather forecast! This is essential for planning, for example, which sleeping bag is most appropriate, in addition to the appropriate clothing.

– Avoid crossing with bad weather, rain, fog etc … Lightning storm is extremely dangerous.

– Remember: Bring enough water for the crossing. The few sources reported may not exist in case of long periods without rain. I took 4.5L for the 2 day crossing and it was ok, almost 1 liter left at the end, however I did not cook. Is it worth to carry the extra weight, stove, pan and water? Analyze everything you will carry and decide what is important.

– Always go with someone in this type of adventure. And if you’re a beginner like me, go with someone more experienced who knows what he’s doing. We always hear reports of people getting lost and even dying in Mantiqueira.

– Go with proper clothing, which gives you good range of motion for the climbers, that allow your body to breathe and protect you from the sun, because there are no shadows on virtually every path.

– Wear appropriate footwear, preferably a good trekking boot. A good boot gives you confidence at the time you have to walk on the rocks, and especially on the descents of the stone walls which, by the way, are many.

– Don’t forget to bring extra batteries for your headlamp and GPS or a powerbank if you are using wikiloc on your phone.

Thanks…

Thanks to all the people who made the crossing with me, you guys are awesome! Special thanks to Edgard, my brother who went with me from Sao Paulo, Chang and Raphael who helped me in several times that I froze hehehe, and to Osorio and Raphael again who believed and trusted me, encouraging me to do this crossing with them!

I hope you enjoyed the text and find it helpful in helping you plan your next adventure. If you have any questions, please leave a comment or write me an email that I will answer as soon … see you next time!

*thank you  Raphael Benfica, William Chang, Elaine Fon and Edgard Morato for have given some photos.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *